Sobre parcerias de trabalhos em desenvolvimento web
12/05/200911 comentáriosmiscelânea

No desenvolvimento para web o que não faltam são oportunidades para participar de projetos, quer seja individualmente, quer seja através de parcerias. Falando especificamente de trabalhos freelancers,é muito importante que se tenha uma boa rede de relacionamentos (o tão falado network) para não “deixar esfriar” a atuação no mercado “freela” de desenvolvimento web.
Entretanto – e infelizmente -, nem sempre as parcerias estabelecidas para o desenvolvimento de um projeto dão os frutos esperados, gerando desagradáveis situações entre as partes – muitas vezes causadas unilateralmente – que, de uma forma ou de outra, dão por consequência o descrédito e a não confiança na parte que não honrou com os compromissos previamente estabelecidos – pode-se falar, inclusive, em cancelamento da parceria no meio do projeto, o que, muitas vezes, culmina em cancelamento deste.
A escolha dos parceiros
Muito se diz e se escreve sobre ter uma excelente rede de relacionamentos. O que não se diz muito é como estimar que “tal” ou “qual” parceria/projeto dará certo; como saber qual pessoa dá mais indícios de que honrará com suas tarefas e demais acordos feitos.
Acredito eu que a resposta para estas perguntas pertence mais à seara da psicologia! Saber essas coisas, a meu ver, é impossível! Para quem desconhece o comportamento humano (eu, por exemplo), saber, de antemão, sem ter realizado algo com a pessoa anteriormente e/ou sem ter recebido uma indicação pessoal, é tarefa impossível! Se o “geral” já é complicado, imagine cada caso, individualmente; cada pessoa, com suas peculiaridades e jeito próprio…
Existem diversas maneiras de se escolher/trabalhar com parceiros de desenvolvimento. Cito algumas:
Indicação
Quando alguém que você já conhece/trabalha/trabalhou indica alguém para uma , um pouco da credibilidade e confiança que você nutre por esta pessoa será “transferido” para a indicação que esta fez – obviamente estou falando de pessoas sérias e compromissadas. É bem mais tranquilo conhecer e realizar projetos com uma pessoa que foi indicada por alguém que você já conhece. A própria indicação, em si, denota que quem indicou já realizou trabalhos com a pessoa e, por ter considerada a experiência positiva, fez a indicação.
Antigo colega de trabalho
É muito comum a situação de se trabalhar em uma agência, por exemplo, e, depois de ter saído daquele emprego, manter contato com alguma(s) pessoa(s) que permaneceu(ram). Neste caso, o fato de você já conhecer o estilo da pessoa, seu modus operandi, a “dinâmica”, o time, personalidade, dentre outras características – que você sabe por já ter trabalhado com a pessoa -, contribuem enormemente para que, no caso de um freela que necessita das capacidade do antigo colega de trabalho, você saber a quem recorrer.
Colega de faculdade
Outra situação comum é a pessoa ainda na faculdade conseguir freelas para fazer. Dependendo do projeto, a participação de mais pessoas é fundamental. Então, nada melhor que selecionar, dentre os colegas que levam os estudos a sério, qual(is) tem o melhor perfil para o projeto. Outra situação é, mesmo depois que a faculdade terminar, você ainda manter contato com alguns ex-colegas e, de forma semelhante, recorrer aos respectivos e-mails caso apareça algum job que necessite de pessoal extra.
Sites de projetos
Muito comuns são os sites que tem por objetivo o cadastro/divulgação de pessoas e jobs – como o excelente LimeExchange. Após realizar alguns projetos pelo site, você já começa a ficar conhecido e o volume de serviço pode aumentar. Principalmente nessa situação, onde você não conhece as pessoas com quem vai trabalhar, é preciso cuidado redobrado, preferencialmente com algum tipo de garantia que os seus serviços serão recompensados da maneira adequada e dentro do prazo combinado.
Blogs
Ter um blog é uma excelente oportunidade de, dentre outras vantagens, conseguir participar de projetos. A maioria dos meus freelas, por exemplo, foram frutos de contatos realizados pelo formulário de contato do blog por pessoas com dúvidas ou explicitamente querendo serviços em desenvolvimento web. Algumas estão comigo até hoje, seja para manutenir o que foi feito; seja para o desenvolvimento de novos projetos.
Social Medias / Redes Sociais / Sites de relacionamentos
Social medias, como diHITT e Rec6, apresentam excelentes oportunidades de conhecer pessoas e potenciais futuros colegas de freelancers – há casos de equipes inteiras terem se formado através de contatos iniciais em social medias. Então, se você tem um blog – pode ser sobre qualquer coisa, mas, no caso, estou falando sobre desenvolvimento web -, não deixe de enviar seus bons artigos para social medias.
Ter um perfil nos principais sites de relacionamentos também pode ser uma boa, já que a maioria permite que você divulgue endereços de seu site/blog, disponibilize feeds e, principalmente, que você se afilie a diversas comunidades relacionadas a sua área de atuação e faça diversos contatos relevantes, aumentando seu networking potencial.
Fóruns de discussão
Outra situação bem corriqueira é o anúncio de procura de parcerias em fóruns de discussão. Chega a ser óbvio o fato de, num ambiente em que se discute principalmente sobre um assunto, aparecerem oportunidades justamente sobre esse determinado assunto. No caso do desenvolvimento web, o que não faltam são pessoas procurando parceiros para projetos pagos, realização de boas ideias, reuniões de brainstormings, reposição de vagas em agências, etc.
Situações desagradáveis acontecem…
Mesmo tomando todos os cuidados, procurando saber coisas a respeito de seu(s) parceiro(s) na web (você faz isso, certo?), procurando pessoas que já trabalharam com “fulano”, enfim, tomando as devidas precauções para que tudo dê certo, esteja ciente: situações desagradáveis acontecem!
Não é nada pessoal, nada a ver especificamente com você; são fatos da vida! Aconteceram, acontecem e sempre acontecerão situações que fogem ao nosso controle, causadas por pessoas que não se importam muito com seus pares… É assim, mesmo, não adianta espernear nem chamar a mamãe!
Relato de uma experiência pessoal
Faço regularmente trabalhos de desenvolvimento web para uma pessoa – que também é da área – desde o início do ano, mais ou menos. A pessoa sempre pagou em dia, eu sempre entreguei os trabalhos em dia, tudo normal. Mas… Chegou o momento em que somente eu cumpri minhas obrigações.
Eu entreguei um material de qualidade (o trabalho era de desenvolvimento de temas WordPress), tudo dentro dos prazos, mas o pagamento não foi feito dentro do acordado… Pelo fato de já ter realizado diversos trabalhos com a pessoa e tudo correr bem, descuidei-me o suficiente para entregar os trabalhos antes de receber a totalidade do pagamento – coisa básica sobre “freelanceamento” quando não há contrato para regulamentar os serviços. Conclusão: trabalhei de graça…!
Conclusão sobre parcerias de trabalhos de desenvolvimento web
Não caia na mesma burrada no mesmo equívoco que eu, querido leitor! Só entregue os materiais a seu parceiro/cliente depois do pagamento total do que foi combinado! E outra: sempre que possível, faça contrato! Alguns usam o argumento de que um contrato tira a agilidade do projeto; fique atento a estes! Se a pessoa não quer fazer contrato, esteja certo de que alguma coisa tem – aprendi essas e outras lendo o Guia do Ilustrador que, apesar do nome, tem dicas para qualquer profissional freelancer.
E você, já passou por situações desagradáveis com parcerias? Gostaria de compartilhar alguma história triste? Comente!










Rúbia Gardini (12/05/2009)
Na minha jornada freelancer nunca encontrei a inadimplência, aliás, graças a Deus rsrs!
Mas já tive parceiros de trabalho que me deram canseira; um havia estudado comigo em um curso de Flash, e outro foi parceiro de trabalho em uma agência. Ambos com experiência no ramo necessário, teoricamente preparados, com os pré-requisitos básicos pra trabalhar nos projetos corretamente. TEORICAMENTE.
Os 2 me deram uma bela decepção, e eu tive que complementar o trabalho de ambos, sem ganhar absolutamente nada.
No fim das contas, prefiro recusar trabalhos a trabalhar com outras pessoas.
É o preço que vários desenvolvedores pagam pela falha de alguns.
No fundo, acho que é até algo cultural no brasileiro a falta de honestidade, a falta de compromisso. Aquela coisa de dar uma de esperto. Levar vantagem. Mas aí, então, eu sou estrangeira :-)
Chris Benseler (12/05/2009)
Indicação é sempre a melhor forma.
Mas não posso negar que o Twitter me quebrou um galho imenso mês passado e consegui dois rapazes pra fazer freela pra mim, de qualidade!
Thiago Cavalcanti (16/05/2009)
O problema é o que o povo da nossa área só se liga nas coisas que são específicas do nosso ramo e se esquece do resto.
Essa parte de negócios, parcerias etc., precisa ser muito bem trabalhada por quem quiser ser freelancer (de qualquer área), doutra forma é melhor procurar um emprego mesmo.
Para quem se interessar mais por este tema eu recomendo a leitura dos artigos do FreelanceFolder.com !
Tárcio Zemel (20/05/2009)
@ Rúbia Gardini
É, por esse seu “trauma” você optou por uma carreira freela “solitária”. Enquanto estiver dando certo, você tem mais é que continuar, mesmo! Agora, quando se encontra e trabalha com as pessoas certas, certamente o rendimento é compensador!
@ Chris Benseler
É, indicação é bem confiável, embora também aconteça esse caso que você citou. Mas, admito, penso que o fator “sorte” também estava do seu lado! rsrs
@ Thiago Cavalcanti
Excelentes dicas, Thiago! Obrigado por complementar o assunto!
Acelio F (21/05/2009)
Que atire a primeira pedra quem nunca levou um cano! fora a Rúbia.
Tive um caso, em 2004, em que tive que tirar os sites do ar, para receber (eram 4 da mesma empresa). Recebi, mas deu trabalho reinstalar tudo…
Moro em florianópolis e já fiz sites para MT, MS, PR, RS e cidades de SC. Sempre com receio de não receber. O que faço é hospedar em meu servidor até o final dos testes e estipular fases do projeto e cobrá-las separadamente para dar seguimento para a próxima.
Eu também queria achar parceiros.
Esta de ser um “canivete suíço” e ter que fazer tudo num desenvolvimento, atravanca o progresso/processo de “ganhar a vida”.
Se pudesse ter parceiros, poderia “pegar” mais trabalhos…
Tárcio Zemel (27/05/2009)
@ Acelio F
É triste ter de chegar a essa situação extrema de retirar os sites do ar… Você ainda pôde fazer isso, mas há vários casos em que o site fica hospedado em servidor que não se tem acesso, aí não tem jeito.
É só procurar direitinho que você encontra bons parceiros para os jobs. Nesse caso a qualidade é melhor que a quantidade.
Obrigado por comentar!
Alexis Kauffmann (27/05/2009)
Tárcio, vou começar me autoflagelando por ter ficado tanto tempo sem aparecer aqui, como resultado de infindáveis formatações de HD, trocas de computador e outros percalços…
Sobre o post. Essa palavra, “parceria”, está na moda, mas não tem sido usada adequadamente. Vem de “partnership” que, a rigor, significa “sociedade”. Um parceiro é necessariamente um sócio e toda sociedade requer negociação prévia de direitos e obrigações, autoridade e responsabilidade, prẽmios e punições em caso de descumprimento.
Em uma palavra, toda sociedade requer um contrato, como você bem ressaltou.
Decididamente, como você bem disse, não há fórmula mágica que garanta o sucesso das associações humanas. Vale psicologia, antropologia e mil outras disciplinas teóricas.
O que minha experiência diz – vale dizer que essa experiência inclui um rol imenso de calotes, decepções, brigas, desentendimentos e amigos que viraram inimigos figadais – é que todos os sintomas do fracasso ou do sucesso surgem durante a negociação. O que nos impede de percebê-los são o excesso de entusiasmo com a idéia, aquele desejo imenso de que tudo dê certo.
Quantas vezes você já pensou “Não tem como dar errado!” e deu com os burros n’água?
Comigo, isso aconteceu dezenas de vezes.
Em todas as ocasiões, eu confundi o desejo de dar certo com a evidência de que daria certo.
Em miúdos: eu quero tanto que dê certo, então só pode estar tudo certo.
O cérebro humano tende a ignorar as informações que contradizem o que a gente deseja intensamente.
Não por acaso, as pessoas apaixonam-se, casam-se e divorciam-se. Depois do divórcio queixam-se: “Ele/Ela não era assim no início…”.
Era sim. É que você estava apaixonado(a) e não notou… :-P
Por isso, o melhor que posso recomendar é estender o tempo da negociação em suas parcerias – “namoros mais longos” antes do casório. Buscar sempre os fatos, prever todas as contingências. E observar a reação do candidato a parceiro. Se ele ficar irritado ou impaciente com “esses detalhes”, fuja da parceria.
Não é receita de sucesso, mas pode evitar MUITOS fracassos.
Abração, voltarei mais regularmente,
AK.
Tárcio Zemel (28/05/2009)
@ Alexis Kauffmann
Hoho, grande Alexis! Sempre deixando excelentes (embasadas) opiniões! Agora você disse tudo!
Aguardo, então, mais aparições suas no humilde blog! Abraços!
Matheus (29/05/2009)
“Por isso, o melhor que posso recomendar é estender o tempo da negociação em suas parcerias – “namoros mais longos” antes do casório. Buscar sempre os fatos, prever todas as contingências. E observar a reação do candidato a parceiro. Se ele ficar irritado ou impaciente com “esses detalhes”, fuja da parceria.”
Show de bola!!!!!
Tive pessoas que se mostraram interessados em “colar comigo” para fazer trabalhos freelas empolgados com a questão de desenvolver, fazer portfolio, etc e nosso planejamento foi de estruturarmos em equipe, tentando definir ao máximo as atividades e responsabilidades de cada um a serem cumpridas, deixando cada um de ser o tal “canivete suiço” e procurar uma especialização.
Esse “tempo de namoro” foi essencial pois após um período eles desestimularam com o processo e abandonaram…..
Fabricio (15/06/2009)
Parabéns pelo post…
Trabalho com parcerias na maioria dos projetos que realizo, e uma troca e precisar ter confiança um no outro, até hoje não tive problemas, mas é sempre bom ter cuidado com os “parceiros” de trabalho, nunca se sabe.
abr
Tárcio Zemel (17/06/2009)
@ Matheus
Encontrar uma boa equipe para este tipo de atividade é muito bom, realmente! Que bom que tudo deu certo!
@ Fabricio
Que bom que nunca teve problemas (uma alta dose de “sorte”, hã?)! ;-)
Abraços e volte mais vezes!