Fechamento de contratos e designs para web: teoria e prática
25 de julho de 2008 11 comentários

Trabalhar com desenvolvimento web é algo muito bom; entretanto, tem também seus aspectos negativos - como tudo nesta vida. Agora a pouco, em discussão com meu colega de trabalho Leo Bruno, entramos em uma seara muito complicada e delicada de se tratar; na verdade, uma discussão profissional que já foi iniciada há anos atrás e, obviamente, continuará a existir.
A questão principal era “É preciso apresentar um design para o cliente antes de fechar um contrato ou deve-se fechar o contrato antes para, somente depois, mostrar os primeiros esforços”? Esta, na verdade, não é uma questão meramente restrita ao desenvolvimento para web. Existe em diversas áreas de atuação, mormente às relacionadas a artes, abstração, etc - os exemplos do Guia do Ilustrador não me deixam mentir.
O objetivo, aqui, não é de convencer ninguém a pensar conforme uma opinião ou outra mas, sim, expor ambos pontos de vista para que a discussão sobre o assunto continue e todos nós possamos aprender e refletir mais a respeito.
O difícil é convencer
Como comentei, é complicado para um profissional da área de desenvolvimento web - e outras muitas - de “convencer” o cliente de fechar um contrato antes mesmo de aprensentar algo “palpável”. E difícil para uma pessoa pagar por algo (ou começar a pagar) que sequer viu e não verá durante um tempo, não é? A resposta é “Depende”!
Se você quer dar um novo visual a seu jardim e contrata um paisagista, você não vai dizer que somente paga pelo trabalho dele depois de ver o resultado, somente se este lhe agradar… Um médico não cobra a cirurgia plástica somente se a pessoa agradar do resultado. Ele faz o que precisa ser feito, conforme as “especificações” passsadas pelo paciente, e pronto.
Mas parece que quando o assunto é desenvolvimento web a coisa muda de figura… As pessoas têm dificuldade, não sei por quais motivos, de aplicar o mesmo raciocínio para o desenvolvimento de web sites e sistemas virtuais, em geral. O fato é que alguns cliente insistem em ser inflexíveis em relação a fechamento de contratos quando não vêem um design ou um layout, que seja, e pensam que estão pagando “à toa”, que não será confiável, etc.
Portfolio, clientes, teoria e prática
Realmente, em alguns casos a pessoa pode levar gato por lebre, mas, para isso mesmo, é que o profissional, a agência, grupo de amigos ou o que for, devem ter um portfolio! É através do portfolio que o potencial cliente poderá ver a qualidade dos serviços que são prestados e optar por fechar o contrato do desenvolvimento, ou não.
Na discussão argumentei isso, que o portfolio deve ser consultado pelo cliente para auxiliar em sua decisão, que é possível enviar uma apresentação multimídia com alguns trabalhos dias antes da reunião, enfim, que o cliente deve ter a oportunidade de consultar trabalhos já feitos antes de, efetivamente, fechar o contrato e contratar os serviços de desenvolvimento.
Já o Leo Bruno disse que a “realidade do mercado” é outra; que na teoria é assim, mesmo, e tudo é muito bonito, mas, na prática, se você chegar e disser isso a um cliente, que só vai apresentar algo para ele ver depois de o contrato fechado, ele responde que existem mais X desenvolvedores e que vai fazer o projeto com eles, então… Resultado, um cliente um job a menos.
E o Briefing?
Então, contra argumentei que é impossível mostrar algo focado àquele cliente sem antes fazer um bom briefing de desenvolvimento web. Que, para fazer isso, apresentar um design sem fazer um briefing, só mesmo trabalhando com modelos de sites prontos e templates… Falei sobre o artigo onde cito a opção de fazer um briefing preliminar e um briefing mais detalhado e sobre várias coisas a respeito, que inclusive já escrevi sobre no artigo de briefing para web sites, aqui no desenvolvimento para web.
Ele chegou a concordar na parte do briefing, mas disse que o “modus operandi” é fazer o briefing final antes mesmo de se fechar o contrato, para passar o orçamento e, se este for aprovado, continuar com o desenvolvimento.
No fim, ninguém mudou de idéia…
Como na maioria das discussões, todos os envolvidos saem com as mesmas opiniões que tinham antes, no máximo com a informação de um novo ponto de vista ou a “suavização” de determinados aspectos. Então, eu continuo pensando que o correto é fazer 2 briefings e só apresentar um design depois de o contrato fechado e o Leo Bruno continua pensando que a “realidade do mercado” obriga a tomar outro rumo, quer dizer, que é preciso, para conquistar e manter clientes, que se apresente um design antes de se fechar contato; caso contrário, o cliente vai buscar o serviço em outro lugar.
Meu colega Leo Bruno é o responsável pelas vendas e contato com clientes aqui na empresa onde trabalho; ele é formado em marketing e lida com o público tem vários anos, o que o capacita a dizer o que diz devido à sua prática. Portanto, respeito muitíssimo a opinião do Leo sobre isso porque, se ele trabalha há anos com isso, besteira é que não pode estar falando!
Entretanto, continuo com minha humilde opinião, de quem mais desenvolve a web do que fecha contratos; continuo pensando que o portfólio é o principal “trunfo” para a decisão de o cliente contratar você ou não, e que as principais especificações de um projeto web devem ser “descobertas” através da feitura de um bom briefing.
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Como complemento, leia o artigo “Como montar um portfolio sem ter clientes“.
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E você, qual sua opinião sobre isso? O melhor é fechar o contrato antes e apresentar o design depois ou apresentar o design antes para, só depois e se aprovado, fechar o contrato?














Boas. Torna-se bastante penoso para o webdesigner trabalhar o desing e depois não conseguir aprovação, tendo que usa-lo mais tarde para por exemplo vender no ebay. É necessário mostrar sempre um portfolio, com 10, 15 trabalhos, e aí o próprio comprador terá que aceitar a priori ou não.
Tem provas, gosta, muito bem, não gosta..nem vale a pensa darmo-nos ao trabalho.
É a minha perspectiva…
Abraço!
@ Muhammad
Justamente, Muhammad! Compartilho de sua opinião! O portfólio é que vai servir para a pessoa escolher se contrata ou não os serviços; esta história de ver primeiro para só depois decidir pode ser usada até como especulação - a pessoa pede para vários desenvolvedores mostrarem e pega o que “mais lhe agrada”.
Abraços e obrigado pela contribuição!
E quando não se tem um portfólio ainda mas surge alguém com interesse?
@ Nu
Oi, tudo bem? Bem, nesse caso realmente eu não pensei a respeito, ainda, mas, dependendo das circunstâncias, creio que poderia se fazer uma “inversão” disso; quer dizer, se você ainda não pode mostrar referências para a pessoa, então é provável que você tenha que dar esta “colher de chá”…
Uma solução seria pedir um adiantamento para a apresentação do design, para os “custos de produção”, e outros serviços inclusos. ;-)
Abraços!
Olha, Tárcio, a opinião do Leo é típica de vendedor de commodities. Se eu não comprar feijão da sua fazenda, compro de outro produtor.
Se a sua empresa vende websites como quem vende feijão, vocês precisam parar de vender websites. Adicionar uma diferenciação ao produto, segmentar o mercado… Adotar uma filosofia de marketing.
Na filosofia de vendas de produtos indiferenciados (commodities) o mercado dita o preço e as condições. O que você precisa buscar é uma diferenciação tal que permita a você ditar os preços e as condições!
É fácil? Não. Se fosse, marketing não seria matéria de faculdade, pós, mestrado, doutorado.
Mas precisa ser feito.
Levei 3 anos tentando vender um produto. Durante dois desses anos, consegui fechar três vendas. Nenhuma delas superior a 100 reais…
De um ano para cá, dediquei-me a reprojetar o produto, agregando diversos valores únicos no mercado.
Como resultado, tenho trabalhado somente com contratos bastante equilibrados com relação a benefícios e obrigações de ambas as partes, sem cláusulas leoninas a favor de ninguém.
E não começo a trabalhar sem ver a cor de um adiantamento previamente estipulado no contrato.
O que eu vendo? Projetos. Mostro o que fiz (meu “portfolio”) e pergunto: “Quer que eu faça o mesmo por você? Custa tanto”.
Claro, eles sempre podem procurar quem faça mais barato e facilite o pagamento a perder de vista e…
Mas não lamento a “perda” dos que decidem não aceitar minhas condições e vão em busca do menor preço. Eles simplesmente não são meu mercado-alvo.
Não quero clientes que querem comprar feijão. Eu vendo o preparo de feijoadas completas.
O Marketing começa onde terminam as Vendas: na definição do tipo de clientes que você NÃO QUER.
Grande abraço,
@ Alexis Kauffmann
O caso é que, pelo o que pude perceber do Leo pelo pouco tempo que o conheço, para ele não faz muita diferença entre vender sites e commodities; acontece que, no momento, ele vende sites.
Não que isso seja uma coisa ruim, ele é um vendedor e pratica vendas, mais nada. Mas, para mim, desenvolver sites é mais do que “vender algo” - é algo que realmente gosto de fazer! Acho que esta é uma das principais diferenças entre ele e eu…
“Não quero clientes que querem comprar feijão. Eu vendo o preparo de feijoadas completas”. É isso, aí! ;-)
Obrigado pela contribuição ao tema!
Olá Tárcio,
Quem é vivo semre aparece, não é este o ditado? Então resolvi dar o ar da graça para dizer que essa situação pode ser comparada a quem projeta móveis. Se vc quer uma cozinha projetada o que vc faz?
Eu faço da seguinte forma:
- Procuro por lojas do ramo;
- Avalio o trabalho que eles já fizeram, seja através de fotos, desenhos, stands, …
- Solicito um orçamento com base naquilo que desejo (briefing);
O que as lojas, normalmente, fazem:
- Com base no briefing desenham um projeto, mostram exemplos semelhantes, constroem maquetes (dependendo do porte do empreendimento claro) e mostram um orçamento;
Com isto em mãos comparo as ofertas, peso os prós e os contras na balança e fecho o contrato com uma delas. Daí em diante geralmente paga-se uma entrada e parcela-se o resto conforme contrato.
Então na humilde opinião, de quem ainda nem se formou, penso que o mesmo se aplica ao desenvolvimento de sites. Ou seja, nesta fase você apresenta possibilidades do que pode vir a fazer, seja através de um esboço simples, exemplos semelhantes, nada comparado a um trabalho final. Apenas um esboço para que o cliente possa visualizar o que pode vir a se tornar o layout…
E como se faz isso? Eu não tenho certeza, mas um storyboardy do layout associado a exemplos próximos ao que ele quer, mais alguns esboços de estruturas no photoshop, ou até mesmo na papel, podem ajudar. Acredito que isto seja suficiente para ele se decidir e dar uma entrada que cubra os gastos iniciais de produção…
Abços,
MY
@ Christiano G. de Araújo
Opa, Mestre! Tava sumido do desenvolvimento para web!
Excelentes dicas as suas! Realmente fazer essas coisas para mostrar para o cliente e deixá-lo mais seguro e a par do que será o projeto é muito bom! Isso estabelece uma confiança, penso eu, e até pode ser o diferencial para fechar ou não com um cliente.
Abraços e obrigado pelas dicas!
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